No dia 10 de fevereiro, nosso esporte chegou mais perto de conquistar um benefício que pode e deve marcar uma revolução no motociclismo de competição no nosso país. Nesse dia o presidente da CBM, Alexandre Caravana, juntamente com os presidentes da Federação de Motociclismo de Rondônia e do Distrito Federal reuniram-se com diretores da Receita Federal para definir a regulamentação da lei que permitirá a isenção de impostos para a importação de motos de competição. “Tal benefício já foi concedido. Agora iremos torná-lo efetivo”, declarou Alexandre Caravana. Acontece que tal benefício não poderá ser aproveitado para o Motovelocidade, o que acabou gerando críticas. Para esclarecê-las, segue abaixo carta enviada pelo próprio diretor de Motovelocidade do Estado do Rio de Janeiro, Claudio Bicudo. "Um bom crítico muitas vezes tem o seu trabalho reconhecido pelos leitores, que em grande parte, exerce seu lado crítico se assemelhando ao bom crítico. Para mim, a diferença entre ambos é que o bom crítico traz além de suas críticas, as respostas. Há poucos dias recebi um email que circula na internet criticando mais uma vez a CBM (Confederação Brasileira de Motociclismo). A entidade que em sua atual gestão mostrou o interesse para concretizar um projeto iniciado pelo senador Valdir Raupp há quatro anos, está mais perto do que nunca para finalizar com sucesso um passo importante para o nosso esporte. Para aqueles que não estão por dentro do assunto, acessem o link: http://www.cbm.esp.br/noticias.php?idNoticia=92 Segundo a CBM o benefício (que permitirá a isenção de impostos para importação de motos de competição) não poderá ser aproveitado para o motovelocidade, mas atingirá todas as outras modalidades. Como diretor do segmento fiquei triste ao saber que isso não seria possível, afinal a nossa modalidade movimenta o mercado de esportivas no Brasil e no mundo. Foi aí que me dei conta do porquê. Alguns anos atrás a Honda passou a fabricar no Brasil a CRF230, um modelo específico para o off-road que por sua vez não pode ser licenciado para rodar na ruas. O novo modelo tirou a fatia do mercado da Tornado 250cc, usada para a prática em alguns segmentos, mas que devido a seu peso e características projetadas para uso urbano, não atenderam as expectativas dentro do esporte. Com essa iniciativa a Honda abriu um novo mercado que logo foi seguido pela Yamaha. No mundo da velocidade isso seria bem diferente, afinal a modalidade que é cultuada por legiões de fãs no mundo inteiro, serve para aquecer o mercado de esportivas que vem crescendo a cada ano. Um bom exemplo disso foi o que a Ducati fez em 2006 quando anunciou o projeto de adaptar para as ruas o seu modelo que competia no Mundial de Motovelocidade, ela tornou possível o sonho de pilotar uma moto de corrida nas ruas criando a Ducati Desmosedici RR, inspirada no modelo usado pelo piloto Lóris Capirossi. Mesmo assim o modelo só foi vendido em 2008 e apenas 1,5 mil unidades produzidas iguais as motos de corrida. Lançada a um preço de US$ 65 mil, o feliz proprietário tem o prazer de pilotar um motor robusto de 989 cm3 com quatro cilindros em L, 16 válvulas e capaz de atingir 200cv de potencia a 10.500 rpm. Um outro exemplo seguido pela conhecida Honda foi o lançamento da CBR 1000 RR Fireblade, inspirada no modelo campeão do Mundial de Motovelocidade que foi pilotada pelo nosso grande piloto Alexandre Barros no Mundial de 2005. Com um mercado como esse, que interesse as fábricas tem em produzir um modelo exclusivo para as pistas, já que nossos ídolos e suas máquinas incentivam a nós, pobres mortais, a nos tornar grandes pilotos, mesmo que somente nos finais de semana". Claudio Bicudo Diretor Federação de Motociclismo do Estado do Rio de Janeiro |